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A produção passou de 2,7 para 4,6 bilhões de litros por ano entre 2006 e 2015, colocando o Paraná na posição de segundo maior produtor do país, atrás de Minas Gerais, e com tendência de continuar em expansão.
O crescimento ocorreu a partir de programas de incentivo em regiões paranaenses que não tinham a tradição leiteira, como o Sudoeste e o Noroeste do Estado. "Hoje existe atividade leiteira em todos os 399 municípios do Paraná, mesmo que em pequena proporção", afirma Fábio Mezzadri, responsável pela área do Leite no Deral (Departamento de Economia Rural), da Secretaria de Abastecimento do Estado.

A última medição do IBGE, de 2015, aponta o Paraná como um dos únicos Estados a ter resultado positivo no setor, crescendo 2,6% na comparação com o ano anterior. Em regiões leiteiras tradicionais do país, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, a produção caiu nesse mesmo período em 2,4% e 1,8%, respectivamente.

Apesar de ainda não haver um balanço consolidado, a expectativa é que os resultados continuem positivos em 2017. Condições climáticas favoráveis e o preço do milho e outros insumos da ração do gado, que começaram a cair em 2017, após dois anos em alta, favoreceram a retomada da produtividade.

O resultado foi fruto da diversificação da produção no campo, com investimentos voltados para o financiamento de máquinas e equipamentos para pequenos e médios produtores por parte do governo estadual e de cooperativas agropecuárias.

Controlando 45% da produção de leite do Estado, as cooperativas de leite se concentram principalmente em uma região de colonização holandesa chamada de Campos Gerais, situada a cerca de 150 quilômetros de Curitiba.

Castro e Carambeí - Vizinhas, as cidades de Castro e Carambeí são, respectivamente, a primeira e a terceira maiores produtoras de leite do país. Juntas, elas produzem 390 milhões de litros por ano. Não à toa, são a sede das empresas Frísia (antiga Batavo) e Castrolanda.

Para manter a eficiência em uma área relativamente pequena, a Frísia investe no melhoramento genético como forma de aumentar a produtividade dos animais. Uma vaca de Carambeí, por exemplo, produz até cinco vezes mais que a média nacional (1,6 mil litros por ano).

Outros fatores, como a qualidade de vida e a alimentação dos animais, também são prioridade para garantir a eficiência. Os cooperados recebem bonificações quando atingem metas de qualidade do leite que entregam para a cooperativa. "O animal estressado perde em produção e qualidade, e a exigência do consumidor é muito grande. Qualquer deslize e ele faz uma troca rápida de marca", afirma Emerson Moura, superintendente da Frisia.

Ainda para aumentar a produtividade sem aumentar o rebanho, a empresa criou um programa de aperfeiçoamento para os cooperados semelhante a uma pós-graduação, chamada de MDA –como um curso de MBA, mas em vez de Business (negócios), é voltada a Dairy (laticínios, em inglês). No curso, os proprietários aprendem técnicas de como envolver os funcionários na produção de leite com o objetivo de aumentar a produtividade e a qualidade.

Fonte: Folha de São Paulo